Transtornos de ansiedade em homens: por que ainda são tão subdiagnosticados?
- Antonio Chaves
- 16 de out.
- 2 min de leitura

A ansiedade é um dos transtornos mentais mais comuns no mundo, afetando milhões de pessoas, independentemente de idade, classe social ou gênero. No entanto, quando o assunto é a saúde mental dos homens, um padrão preocupante se repete: eles sofrem, mas raramente buscam ajuda. Os transtornos de ansiedade em homens continuam sendo amplamente subdiagnosticados, e as razões para isso vão além da biologia — elas estão profundamente enraizadas na cultura e nas construções sociais de masculinidade.
Desde cedo, muitos homens aprendem que expressar emoções é sinal de fraqueza. Frases como “homem não chora” ou “aguenta firme” são reproduzidas por gerações, moldando comportamentos de silêncio e repressão emocional. Essa pressão social faz com que sintomas de ansiedade — como insônia, irritabilidade, preocupação constante e tensão muscular — sejam ignorados ou mascarados por comportamentos de risco, como o consumo de álcool, isolamento social ou trabalho excessivo.
A psicologia explica que o estigma é um dos maiores obstáculos ao diagnóstico. Muitos homens acreditam que procurar ajuda psicológica pode comprometer sua imagem de força e autossuficiência. Isso cria uma barreira que não apenas adia o tratamento, mas também intensifica o sofrimento. O resultado é um aumento na incidência de depressão e até de suicídio na população masculina, especialmente entre os 30 e 50 anos.
Do ponto de vista neurobiológico, homens e mulheres podem manifestar a ansiedade de formas diferentes. Enquanto as mulheres tendem a apresentar sintomas emocionais mais explícitos, os homens frequentemente expressam a ansiedade de maneira somática — por meio de dores no corpo, palpitações ou problemas digestivos. Isso faz com que muitos procurem médicos clínicos, sem perceber que o problema tem origem emocional.
Romper esse ciclo exige educação emocional e mudança cultural. É preciso normalizar a ideia de que buscar terapia é um ato de coragem e maturidade, não de fraqueza. Campanhas voltadas à saúde mental masculina, espaços de acolhimento e psicoterapia com abordagem afirmativa são passos fundamentais nesse processo.
A ansiedade não escolhe gênero, mas o modo como a sociedade encara o sofrimento masculino precisa mudar. Falar, pedir ajuda e cuidar de si são atitudes que salvam vidas. O verdadeiro sinal de força é ter coragem para se cuidar.
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